sábado, 16 de janeiro de 2010

Owen Pallett - Heartland

Owen Pallett é um canadense que toca violino - muitíssimo bem, btw - e foi o responsável pelas orquestrações de vários álbuns ótimos, incluindo os dois do Arcade Fire e o novo do Mika. Ele também conduziu a orquestra que toca no debut do Last Shadow Puppets. E ainda tem tempo pra lançar seus próprios álbuns. Heartland é o mais novo deles, desse ano, e o primeiro lançado sob seu real nome (os outros dois, Has A Good Home de 2005 e He Poos Clouds de 2006, saíram como ‘Final Fantasy’ - nome que ele teve que abandonar por causa de direitos autorais e coisas do tipo).

Heartland é um álbum sublime que restaura sua fé na música (caso ela tenha sido perdida) ou a reforça (se ela nunca se foi). Como disse, ele toca violino - e é o violino que é a base central de suas composições, desde o debut, o que faz músicas lindas e, no mínimo, interessantes de ouvir. Em Heartland, Owen parece que não tem medo de arriscar. Ele usa vários elementos eletrônicos, orquestras inteiras e mais bateria do que seus dois outros álbuns juntos. O resultado não é um álbum pra se ouvir, pela primeira vez, enquanto faz qualquer outra coisa. Ele merece ser ouvido sozinho e, de preferência, em fones de ouvido pra poder prestar atenção em cada um dos mínimos detalhes de cada música.

Vale a pena dizer também que, apesar de suas composições grandiosas, na maioria de suas apresentações ao vivo o Owen está completamente solo. É só ele com o violino e um loop pedal. E às vezes as músicas acabam ficando até mais poderosas do que as versões em estúdio.
(e o fato de que os (meus) últimos posts foram sobre artistas canadenses foi só uma coincidência mesmo, nada pessoal.)

Faixas que merecem destaque: “Midnight Directives”, “Lewis Takes Action”, “Lewis Takes Off His Shirt”, “E Is For Estranged”, “Tryst with Mephistopheles”.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

The Unicorns - Who Will Cut Our Hair When We're Gone?

Provavelmente nunca teria ouvido falar em The Unicorns se não fosse pelo 100º episódio de How I Met Your Mother. Eu agradeceria o Ted Mosby, se ele não fosse fictício. No lugar, contento-me em agradecer o(a) gênio que escreve os roteiros de HIMYM. Ou seja lá quem foi que colocou o Ted comentando sobre Who Will Cut Our Hair When We're Gone? na série.

Vindos do Canadá, lar de taaantas coisas ótimas dos anos 00, o The Unicorns lançou os únicos dois álbuns de estúdio no mesmo ano, o longínquo 2003. Os álbuns em questão são Unicorns Are People Too, em fevereiro, e Who Will Cut Our Hair When We're Gone?, em outubro. Nesta edição, nos focaremos mais especificamente no segundo disco. Who Will Cut... tem as músicas leves, divertidas e que te ‘conquistam’ que várias bandas tentam fazer mas poucas são as que conseguem de fato. É até triste saber que eles acabaram a banda pouco tempo depois desse álbum - mas pelo menos deixaram pra trás uma verdadeira gema. Who Will Cut... é um desses álbuns que você nem vê o tempo passar enquanto o escuta, mas gostaria que ele não acabasse.

Alguns comparam The Unicorns com The Shins, e não sei se é por eu nunca ter gostado muito de The Shins ou sei lá, mas eu não acho que as duas bandas são tão parecidas. O fato é que Who Will Cut Our Hair When We're Gone? é um lo-fi indie pop de primeira. E eu o recomendo a todos que gostam do gênero.

Faixas que merecem destaque: “I Don't Wanna Die”, “Jellybones”, “Tuff Ghost”, “I Was Born (A Unicorn)”, “Les Os”.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Silversun Pickups - Swoon.

Indicada pelo grande Jonas, Silversun Pickups é uma banda estadunidense que faz um som meio dream pop, chegando até algumas beiradas do shoegaze e do post-punk. Surgiram em 2003, com um EP chamado Pikul e em 2006 lançaram Carnavas, álbum que colocou os caras no cenário musical internacional, dando oportunidades para abrir shows de bandas de calibre, como Wolfmother e Foo Fighters. 2009 foi o ano que Swoon saiu do estúdio e 2010 foi quando chegou ao meu disco rígido.



Devo dizer que talvez o Carnavas seja melhor que o Swoon em certos aspectos, mas como o segundo me conquistou mais, resolvi aborda-lo nessa primeira oportunidade. Smashing Pumpkins é um claro motivo de comparação aqui, mesmo com os integrantes da banda os citando nas listas de influências, em Swoon você consegue perceber sutis lembranças de SP em praticamente todas as músicas. O pincipal single, 'Panic Switch' foi a primeira música que ouvi e me convenceu a dar uma oportunidade para a banda - não me arrependi -, a guitarra é ótima, a bateria é ótima, o vocal é ótimo e o baixo me pegou de jeito. 'There's No Secret This Year', a faixa de abertura faz bem o serviço de colocar os ouvintes no clima certo, 'The Royal We' é rápida e eficiente, assim como a maioria delas. 'Draining' é um intermédio, uma música mais tranquila praticamente no meio do álbum, que acalma os ânimos, mas sem desanima-los, sendo que 'Sort Of' já começa a aquece-los logo após. 'Panic Switch' e 'Catch And Release' estão inclusas não só nesse, mas também no 'MTV Unplugged', coletânia que com certeza absoluta merece ser ouvida (talvez mais do que o próprio Swoon, motivo do post).



Não considero Silversun Pickups a descoberta do ano e nem algo que vá revolucionar o meu ou o seu gosto musical, mas sim uma banda que merece alguns minutos de sua atenção. Com apenas dois álbuns e um acústico (fora os EPs e essas coisas de praxe) - todos de uma qualidade e um trabalho bem feito, quase únicos -, uma bela lista de influências e ótimas críticas, é o que índico sem sombra de duvidas nesse dia 14 de janeiro de 2012.

Um abraço e até a próxima.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

1990s - Cookies

Apesar do nome, o 1990s lançou seu primeiro álbum em 2007 - o maravilhoso Cookies. Um dos álbuns mais divertidos da década, é triste ver o como ele foi ‘esquecido’. A comparação mais próxima do som deles é, possivelmente, Franz Ferdinand apesar de no fundo nem parecer muito. Vale dizer também que o 1990s vem da mesma terra que o Franz, a Escócia. (que também é a mesma do Jesus and Mary Chain, e Belle and Sebastian, e Teenage Fanclub, e Sons and Daughters, e Camera Obscura, e The Vaselines, e prontoparei.)

As letras das músicas do Cookies são muito bem-humoradas, inteligentes e dão a impressão de que nem a própria banda se leva tão a sério. O que na maioria das vezes cria coisas ótimas e despretenciosas, veja Art Brut (outra banda, posso falar deles outra hora). As músicas em si podem não ter o instrumental mais genial de todos ou serem super vanguardistas, mas são muito animadas e divertidas. É completamente possível colocar o álbum todo pra tocar e nem perceber o tempo passar. Com doze faixas e pouco mais de meia hora, Cookies é um álbum que não vai te fazer refletir sobre a metafísica da vida ou sobre o porquê da Mona Lisa estar sorrindo. Mas com certeza vai alegrar seu dia.

Faixas que merecem destaque: “You Made Me Like It”, “See You At The Lights”, “Is There A Switch For That?”, “Risque Pictures”.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Morrissey - Years of Refusal

Desde que eu ouvi The Smiths pela primeira vez alguns anos atrás, eles quase nunca saíram de minhas playlists. E por algum motivo ou por outro, nunca tinha prestado atenção na carreira solo do Morrissey - que já conta com nove álbuns de estúdio lançados e algumas compilações desde 1988, pouquíssimo tempo depois do Smiths (sadly) acabar. Mas a questão é: Years of Refusal, último trabalho do cantor, saiu no começo do ano passado e é ótimo.

Qual é a do bebê? Também não sei, mas isso é o de menos - é possívelmente o melhor álbum do Morrissey pós-Smiths desde o Maladjusted de 1997. O que era pra se esperar é que conforme os anos vão passando e ele vai ficando cada vez mais velho, suas músicas vão se tornando cada vez mais calmas (tipo o que aconteceu com Elton John), certo? Talvez, mas não é isso que acontece com Morrissey. Years of Refusal tem músicas rápidas e algumas têm guitarras que são mais agressivas do que qualquer coisa que o Smiths já fez. E Morrissey já tem cinquenta anos agora.

Uma coisa é certa: Morrissey se redescobriu completamente nesse álbum. Até sua voz parece ter sido trabalhada de forma diferente dos trabalhos anteriores (incluindo Smiths). Com Years of Refusal, Morrissey prova (provavelmente de forma não intencional) que não existe idade pra se fazer ou ouvir música boa.

Faixas que merecem destaque: “Something Is Squeezing My Skull”, “When Last I Spoke To Carol”, “It's Not Your Birthday Anymore”, “I'm OK by Myself”.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

The xx - xx

Uma banda que teve seu (ligeiramente supervalorizado) debut lançado ano passado, The xx apareceu ‘do nada’ e de repente era a banda mais hype de todas. O ótimo lead-single do álbum, “Crystalised” talvez tenha ajudado, ok. O som bem minimalista da banda é provavelmente único, não dá pra querer dizer ‘Ah, xx é parecido com tal banda’ porque realmente não dá. Em apresentações ao vivo, eles não tem nem uma bateria - a percussão é feita com um sintetizador. O trio que começou como quarteto (a tecladista saiu da banda alguns meses depois de lançado o debut) fez um dos álbuns mais impressionantes dos últimos tempos, sim. Pelo menos em parte.

xx (o título do álbum é ‘xx’ mesmo, não ‘The xx’) começa com uma sequência incrível e as cinco primeiras músicas são de tirar o fôlego. É uma viagem que você só percebe que acabou quando começa “Fantasy”, a sexta faixa, com certeza o ponto mais baixo do álbum. Não vou dizer que a partir daí a qualidade cai um pouco, mas simplesmente não há mais nenhuma música significativa de verdade depois. Talvez “Night Time”, mas não é mais a mesma coisa. As últimas músicas do álbum não são tão boas quando comparadas às primeiras - não são ruins, mas são meio desanimadoras depois de se ter ouvido “Islands”, “Crystalised” e “Heart Skipped A Beat”.

Apesar desse detalhe, vale a pena ouvir. Os vocais são divididos entre o baixista e a guitarrista; e os riffs de guitarra são minimalistas, leves e bem feitos, assim como o baixo que também é impecável. Como já tinha dito, é um pouco supervalorizado. Mas não dá pra negar que eles fizeram um bom trabalho (o álbum foi produzido pela própria banda).

domingo, 10 de janeiro de 2010

Codeine Velvet Club - Codeine Velvet Club

Meninos, meninas e simpatizantes: olá! Meu nome é André e eu sou o novo colaborador aqui do UBPD, qualquer coisa reclamem com o Vinícius. Tinha pensado em fazer um post primeiro pra me apresentar direito antes de ir ao que interessa, mas achei que seria uma perda de tempo e espaço. Então vamos direto ao que importa:
Acredito que alguns de vocês (a maioria, espero) conhecem The Fratellis, e seu ótimo debut Costello Music de 2006. Depois dele, também teve em 2008 o apenas 'bom' Here We Stand. E depois dele, o vocalista Jon Fratelli começou uma banda nova com a cantora Lou Hickey, e hoje o duo atende pelo nome Codeine Velvet Club. Eles lançaram no finalzinho do ano passado seu debut, chamado simplesmente Codeine Velvet Club. O que difere esse projeto paralelo do Jon Fratelli da maioria dos projetos paralelos atuais é que ele carrega muito pouco de sua banda principal (no caso, Fratellis). Claro que há momentos em que é parecido com o que já conhecíamos do Costello Music, mas os momentos são raros. No geral, o som da banda tem um clima quase ‘anos 20’. São músicas pop de primeira com uma seção de metais impecável. Também vale a pena ressaltar que a vocalista Lou Hickey tem uma voz linda e que casa perfeitamente com a do Jon.

Um álbum recomendadíssimo, com músicas dançantes (“The Black Roses”), calmas (“Reste Avec Moi”) e tem até uma quase valsa no meio (“Nevada”). Mas é “I Would Send You Roses” a faixa que provavelmente mais merece destaque dentre as 12 que compõem o álbum. Apesar de tecnicamente ter sido lançado em 2009 (28 de Dezembro...), ele com certeza estará na minha lista de melhores álbuns de 2010.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Paul Banks - Julian Plenti is... Skyscraper.

Muitos já devem conhecer Paul Banks pelo seu trabalho no Interpol - muito bem feito, devo dizer -, o que nem todo mundo sabe é que ano passado ele lançou um trabalho solo usando o tal nome 'Julian Plenti', álbum que por coincidência (ou não, obviamente) é o abordado nesse post.


Não vou dizer que as músicas são inesperadamente boas, uma vez que vindas do cantor, escritor e guitarrista do Interpol, podemos pular essas formalidades, vamos ignorar o 'inesperadamente' e apenas dizer que elas são muito boas. Uma coisa que acho interessante é que são poucas as músicas que parecem ter sido tiradas de b-sides da banda principal do cara, como acontece algumas vezes com artistas que resolvem lançar trabalhos solos, um exemplo disso é Games For Days, que em boa parte lembra o Interpol de Our Love To Admire, mas isso não é o suficiente para desqualificar o álbum ou desambienta-lo (essa palavra existe?). A abertura com Only If Your Run cria a atmosfera com maestria, e nenhuma outra música deixa a petaca cair. Fun That We Have, Skyscraper, Girls On The Sporting News chamam muito a atenção, sem desmerecer as outras, devo deixar claro. Madri Song, apesar da pouca letra, é linda de ser ouvida, realmente um dos muitos pontos altos do álbum. Resumindo bem, ouça todas com boa vontade, valem a pena.


Sem duvida, Banks faz um belo trabalho pelo Interpol, mas é como Plenti que nos é revelada toda sua capacidade como músico e compositor, uma individualidade (apesar dessa dupla personalidade, no caso) que merece um post aqui e uma chance no seu player.
Abraço e bom sábado.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Death From Above 1979 - You're A Woman, I'm A Machine.


Death From Above 1979 é uma banda canadense, são os primos bem educados dos nossos vizinhos estadunidenses, aqueles que falam francês e convivem com ursos nas planícies cobertas pela neve. Essa primeira ideia pode fazer muita gente esperar alguma coisa meio Morissette, algo um tanto quanto equivocado, já que o som agressivo e com pegadas no tal dance punk é quase único.

Inesperadamente, a ausência de um guitarrista - e da guitarra, obviamente - não diminui a qualidade do álbum, a dupla composta por um baixista/tocador de sintetizador (seja lá o nome de quem assume essa função) e um vocal/baterista cumprem o dever com honras ao mérito. Romantic Rights, Blood On Our Hands e Black History Month, os singles do álbum, destacam-se entre as outras, mas sem desvaloriza-las. A faixa título You're A Woman, I'm A Machine também merece atenção, assim como todo o resto, claro. Músicas com uma certa tensão, tanto na sonoridade quanto nos vocais.
Apesar do álbum ser de 2004, só tive a oportunidade de ouvi-lo nesses últimos dias, e confesso que com o que eu já tinha ouvido sobre a banda acabei por esperar algo diferente. Fui surpreendido tanto pela diferença entre o que eu tinha formado sobre DFA1979 e a realidade, quanto pelo fato d'eu ,ainda assim, ter gostado tanto dos caras. Sem dúvida ele ainda consegue chamar a atenção em meio a essa nova leva de bandas que os tem como clara influência, e que muitas vezes acabam fazendo apenas mais do mesmo.
Obs.: O Romance Bloody Romance: Remix & B-Sides, álbum de remix lançado em 2005, também deve ser levado em consideração por quem resolver dar uma chance aos canadenses.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix.


Phoenix é uma banda francesa de synth pop, ou seja, uma banda com um rock alternativo que também faz uso de sintedizadores para conseguir aquele sonzinho diferente que muita gente gosta, e nesse caso, inclusive eu. Mas se você quiser também pode joga-la no famigerado indie rock, apesar d'eu considerar essa tag um tanto quanto suspeita. Os caras estão na estrada desde 1995, apesar do nome Phoenix ter surgido oficialmente em 1996. Frutos do final dos anos 90, apesar do som um tanto quanto diferente do geral tocado nesse período, fazem jus a década - digo isso pessoalmente, por gostar desses anos -, mas foi apenas em 2009 que eles realmente saíram do submundo, com Wolfgang Amadeus Phoenix.


O álbum é bonito, divertido e harmônico. Confesso que as músicas as vezes passam aquela sensação de 'já ouvi isso antes', não como algo copiado, mas sim aquilo de realmente já te ouvido aquela música anteriormente, em algum trecho de comercial ou algo do tipo, tipo aquele comercial da Lacoste com a música da Feist. Posso dizer que as duas primeiras faixas do álbum - Lisztomania e 1901 - são tão divertidas que você corre o risco de cair na tentação de mander o play nelas e esquecer o resto, coisa que não deve ser feita; a instrumental Love Like A Sunset I, seguida pela II são uma boa ponte entre algo que parece dividir o álbum, e o que vem logo após vale a pena a espera. Considero Lasso uma das melhores músicas entre as dez, não desmerecendo suas companheiras, o modo como ela 'sobe e desce' é contagiante. Rome, Big Sun, Girlfriend e Armistice também cumprem seu papel, compondo este ótimo CD.
Eu não sou exatamente o maior dos fãs dessa ramificação musical, mas sem sombra de dúvida indico Wolfgang Amadeus Phoenix (belo trocadilho, por sinal) aos leitores do Uma Banda Por Dia, e acredito ter sido uma boa colocação para uma tentiva de coloca-lo de volta na ativa.
Um abraço a todos e feliz 2010, antes que eu me esqueça.