quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Everybody Was in the French Resistance...Now! - Fixin' the Charts, Volume 1

Everybody Was in the French Resistance...Now! (sim, esse é o nome da banda) é um projeto do Eddie Argos, vocalista do Art Brut, com a multi-instrumentista Dylan Valdés do The Blood Arm. O único elemento comum entre Everybody... e a banda principal de Eddie (além do próprio Eddie) é que as letras são tão cômicas quanto as do Art Brut. O som do Everybody..., em oposição ao punk do Art Brut, é um ‘indie pop’ bem leve que tem piano como base na maioria das músicas. Obviamente, esse som não combina com a voz irônica-e-com-sotaque-britânico-extremamente-carregado do Eddie. E, naturalmente, isso coloca o humor sarcástico de Argos em um nível completamente novo.

Fixin' the Charts, Volume 1 é composto por doze músicas e todas são ‘reações’ a músicas de outros artistas. Exemplo, “G.I.R.L.F.R.E.N (You Know I've Got A)” é uma resposta para “Girlfriend” da Avril Lavigne, e “He's a "Rebel"” é, provavelmente, resposta pra “He's a Rebel”, hit do girl group The Crystals nos anos 60 - vou deixar vocês descobrirem sozinhos qual música inspirou “Billy's Genes”. Entre os artistas cujas músicas serviram de ‘inspiração’ para o Everybody... também estão Bob Dylan e Kanye West.

Acho bom deixar bem claro que as músicas são ‘respostas’ para (ou foram inspiradas por) outras músicas, não são de forma alguma paródias nem nada do tipo, absolutamente não.

Colocar ‘Volume 1’ na frente do nome do seu álbum é algo bastante ambicioso - é presumir que haverão outros. E no caso de Everybody Was in the French Resistance...Now!, eu realmente espero que sejam feitos outros álbuns. Fixin' the Charts, Volume 1 mal foi lançado e eu mal posso esperar por um Fixin' the Charts, Volume 2 ou qualquer coisa do tipo. Diversão garantida.


Faixas que merecem destaque: “Creeque Allies”, “Superglue”, “G.I.R.L.F.R.E.N (You Know I've Got A)”, “(I'm So) Waldo P. Emerson Jones”, “Coal Digger”, “He's a "Rebel"”.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Place to Bury Strangers - Exploding Head

A Place to Bury Strangers veio do Brooklyn, NYC, e faz bastante barulho. ‘Shoegaze experimental’ é talvez a melhor forma de descrever seu primeiro álbum, A Place to Bury Strangers, de 2007. Entretanto, em seu segundo disco, Exploding Head (2009), eles deixaram a parte experimental um pouco mais de lado e focaram-se mais em seu lado realmente barulhento. E fizeram um álbum que é superior ao excelente debut de 2007.

Quarenta e três minutos de barulho, com guitarras agressivas e uma wall of sound extremamente bem feita. Há em Exploding Head um poder que não está presente na maioria das bandas do chamado ‘Newgaze’ (bandas atuais que ‘resgataram’ o shoegaze). Músicas com uma atmosfera pesada e etérea, com bastante distorção e guitarras que competem com a bateria por sua atenção na maior parte do tempo. Em contraste com os instrumentos, os vocais de Oliver Ackermann são, em sua maioria, calmos - e sua voz está mais parecida com a do Jim Reid do que nunca. ‘Épico’ é uma palavra que vem à mente. Exploding Head é obrigatório a todos que gostam do gênero.

Skywave, a antiga banda do Ackermann, também merece ser ouvida.


Faixas que merecem destaque: “It Is Nothing”, “Keep Slipping Away”, “Ego Death”, “I Lived My Life to Stand in the Shadow of Your Heart”, “Everything Always Goes Wrong”.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The Wannadies - Be a Girl

Formado em Skellefteå, Suécia, em 1988, o quinteto The Wannadies, liderdado por Pät Wiksten, lançou seis álbuns durante sua carreira, até acabar em 2009. Be a Girl, de 1994, é talvez o mais notável deles por ter sido o responsável por ‘lançar’ o Wannadies internacionalmente. A música “You and Me Song” foi usada no filme americano Romeu + Julieta (1996) e o Be a Girl saiu no auge do movimento Britpop no Reino Unido, o que com certeza contribuiu pro Wannadies ser ‘percebido’ (apesar de nunca ter atingido os níveis que bandas como Blur e Oasis atingiram).

No geral, o som do Wannadies é parecido com o de bandas como Teenage Fanclub e Weezer (no começo da carreira), e a influência do Pixies também é bastante clara. Com isso dito, não poderia ser diferente: Be a Girl é algo pra ouvir e se esquecer do tempo. As onze faixas/quase quarenta minutos passam muito rápido e assim que a última faixa acaba, você fica querendo que houvessem outras onze.

Depois que anunciaram o fim da banda, em 2009, o vocalista Pät Wiksten disse que começará uma carreira solo. Só nos resta esperar e ver o que vai sair disso.

(Não tem muito a ver com esse álbum, mas:)
Por volta de 2007, o também sueco Säkert! fez um interessantíssimo cover da música “My Home Town”, do primeiro álbum (The Wannadies, 1990), como “Min Hemstad”, cantada na língua sueca. Eles a tocaram ao vivo em vários shows.


Faixas que merecem destaque: “You and Me Song”, “Might Me Stars”, “Love In June”, “New World Record”, “Dying For More”, “Dreamy Wednesdays”.

domingo, 31 de janeiro de 2010

The Runaways - The Runaways

Formada em 1975 por Joan Jett (guitarra) e Sandy West (bateria), The Runaways foi a ‘primeira’ banda só de mulheres a tocar rock pesado. Seu debut, The Runaways, foi lançado em 1976 e tem uma importância história imensurável - é um clássico instantâneo. O fato de que, no meio dos anos 70, uma banda formada por cinco garotas adolescentes fazia um hard rock com solos de guitarra impressionantes e letras que tratavam basicamente dos mesmos temas que homens já cantavam há anos era, ao mesmo tempo, revigorante e intimidador.

O sucesso que o Runaways atingiu em sua curta carreira (a banda acabou em 1979) foi essencial para que mulheres passassem a serem respeitadas no mundo do rock. Várias bandas, também formadas só por mulheres (The Donnas, Sahara Hotnights, L7), ou não (Germs, White Flag, Rhino Bucket) citam The Runaways em suas influências.

Toda sua discografia é muito boa e, principalmente, o debut The Runaways merece ser escutado.

Depois que a banda acabou, a guitarrista Joan Jett continuou uma ‘carreira solo’ com a banda Joan Jett & the Blackhearts, que também vale a pena ouvir. A versão dela da música “I Love Rock n' Roll” é provavelmente a melhor e mais conhecida até hoje.


Faixas que merecem destaque: “Cherry Bomb”, “You Drive Me Wild”, “Blackmail”, “Dead End Justice”, “Is It Day Or Night?”

sábado, 30 de janeiro de 2010

Lykke Li - Youth Novels

Em contraste com o post de ontem, um indie pop bem leve, suave e ‘made in Sweden’. Li Lykke Timotej Zachrisson (ou simplesmente ‘Lykke Li’, seu nome artístico) é uma cantora nascida em Estocolmo, Suécia, que lançou seu primeiro álbum, Youth Novels, em 2008. O álbum, produzido por Björn Yttling da banda Peter Bjorn and John, mistura indie, pop e eletronica com perfeição. Mas é com certeza o pop que fala mais alto. Já vi pessoas dizendo que ela é a ‘Björk sueca’, mas isso seria reduzir demais tanto o trabalho da própria Björk quanto o da Li. Sem pensar em ‘melhor ou pior’, as músicas da Li são definitivamente bem mais ‘acessíveis’ que as da Björk.

Com uma produção impecável, Youth Novels foi com certeza um dos melhores álbuns lançados em 2008. Músicas que vão desde um pop bem descontraído até algo um pouco mais próximo do ‘dark’, mas sempre são incrívelmente agradáveis de se ouvir. A voz de Li merece destaque - é bastante versátil. Pode ser delicada, suave, forte e determinada. Em alguns momentos, tudo isso ao mesmo tempo. O uso de ‘espaço’ nos vocais e instrumentos também ajuda a tornar tudo muito mais impressionante.

É um dos melhores debuts ‘solo’ da década. Não há muito mais o que dizer sem ser repetitivo.

Em 2009, ela compôs uma música (“Possibility”) para a trilha sonora de Lua Nova, e acredito que isso foi algo ótimo para ajudar a divulgar seu trabalho. Li já fez participações em músicas de artistas como Röyksopp, Kings of Leon e talvez a mais notável seja na faixa “Gifted”, da dupla N.A.S.A., junto com Santigold e Kanye West (eu não sou muito fã do tipo de música que o N.A.S.A. faz, mas essa vale a pena ser escutada).

Ela também anunciou, atráves de seu MySpace, que está trabalhando em seu próximo álbum mas que, infelizmente, ainda vai demorar um pouco pra ficar pronto.


Faixas que merecem destaque: “Dance, Dance, Dance”, “I'm Good, I'm Gone”, “Complaint Department”, “Little Bit”, “Breaking It Up”, “Let It Fall”.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pretty Girls Make Graves - Good Health

Se houvesse alguma lista de ‘bandas que acabaram cedo demais’, Pretty Girls Make Graves estaria nela com certeza, e bem perto do topo. Formado em Seattle em 2001, o Pretty Girls Make Graves acabou oficialmente em 2007. Lançaram três álbuns de estúdio, um EP e alguns singles nesse período. O primeiro, Good Health, de 2002, é um álbum incrível e muito curto - tem apenas 9 faixas e menos de trinta minutos. Pretty Girls Make Graves é geralmente acompanhado da tag ‘art punk’ e ouvindo seu debut, é fácil perceber o porquê.

Good Health é viciante. Músicas com riffs de guitarra extremamente bem trabalhados que ficam em sua cabela por horas depois de terem sido escutados. Assim como o resto dos instrumentos, os vocais são em sua maioria fortes e agressivos - Good Health é um punk quase ‘refrescante’ de ouvir. As bandas não são parecidas, mas esse álbum tem a mesma energia presente no debut do Libertines, Up the Bracket (do mesmo ano, 2002). É um álbum altamente recomendado.

(o nome da banda veio da música “Pretty Girls Make Graves”, lançada pelo Smiths em seu primeiro álbum, The Smiths, de 1984 - que, por sua vez, tirou o título de uma citação de Jack Kerouac em seu livro The Dharma Bums)


Faixas que merecem destaque: “Speakers Push the Air”, “More Sweet Soul”, “Ghosts in the Radio”, “If You Hate Your Friends, You're Not Alone”.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dressy Bessy - Dressy Bessy

Depois desse post do Vinícius, nada melhor que continuar com nossa programação normal.

E hoje estamos com Dressy Bessy, uma banda formada em Denver, Colorado, que está na ativa desde 1996 mas só lançou um debut mesmo em 1999, o Pink Hearts and Yellow Moons, que foi seguido por SoundGoRound em 2002 e, finalmente, Dressy Bessy em 2003. E é em Dressy Bessy que o som deles realmente atinge seu melhor. As músicas, todas escritas pela vocalista e guitarrista Tammy Ealom, são um pop rock leve e bastante acessível. Bandas como Ramones e Blondie são uma influência bem clara e também é bem possível compará-los com that dog., principalmente com o álbum Retreat From the Sun de 1997.

Dressy Bessy é bem simples, nada de orquestrações ou solos de guitarra com cinco minutos - apenas os infalíveis 'baixo/guitarra/bateria' sem pretensão nenhuma. O resultado é um disco divertido e animado, com músicas pop incrívelmente grudentas (na melhor forma possível).

Só uma informação interessante: Dressy Bessy está associada ao Elephant 6 Collective, mesmo ‘grupo’ de onde saíram algumas das bandas mais notáveis de indie rock/pop dos anos 90, como of Montreal, Neutral Milk Hotel, The Apples in Stereo e Elf Power.


Faixas que merecem destaque: “This May Hurt (A Little)”, “Girl, You Shout!”, “Better Luck”, “Tidy”, “Hey May”.

Explicações.

Diferente da outra vez que sumi do blog, dessa vez tenho motivos reais para tanto.

O primeiro é o seguinte: estou prestando um concurso da Petrobrás, todo meu tempo (ou toda a parte produtiva dele) está sendo dedicado a esse objetivo, realmente tenho que dar um jeito de passar nessa parada.

O segundo é o tal: amanhã farei uma cirurgia, não está sendo fácil nos últimos dias vir ao computador e tudo mais, e depois de sexta, acredito que ficará um tanto quanto mais complicado por uma ou duas semanas. Não vou dar detalhes sobre isso por aqui, é uma operação relativamente simples, mas que ainda assim é um trabalho cirúrgico.

Peço desculpas aos leitores e aos outros colaboradores (principalmente ao André, que apesar de estar a pouco tempo aqui, vem carregando o UBPD nas costas) e compreensão. Assim que possível retorno as atividades normais.

Abraços.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lou Barlow - Emoh

1984, Lou Barlow e J Mascis formaram o Dinosaur Jr., com Lou no baixo e Mascis na guitarra/voz. Em 1988, depois de lançado o terceiro álbum, Bug, Barlow saiu da banda. E então começou a se focar mais no Sebadoh, que até aí era um projeto paralelo. Alguns álbuns depois, Barlow começou uma outra banda, The Folk Implosion, mas sem acabar com o Sebadoh (que lançou o último álbum em 1999 e ficou anos em ‘pausa’, fizeram uma reunião em 2007 e até hoje não acabaram oficialmente). Resumindo, Lou Barlow é praticamente um workaholic. Mas nunca tinha lançado nada solo com seu próprio nome até 2005, quando saiu Emoh.

Em sua carreira solo, Barlow faz um som acústico que é quase folk - mostrando um lado que não tinha sido muito explorado em suas bandas passadas. Usando violão como base ao mesmo tempo em que há instrumentos elétricos e alguns (poucos) elementos mais eletrônicos, é um álbum consistente. Com 14 faixas muito bem feitas, Emoh é muito mais do que ‘um Sebadoh tocado no violão’.

A voz do Lou merece comentários tanto quanto o resto dos instrumentos. O que aconteceu é que provavelmente sua voz nunca teve tanto destaque assim em meio às guitarras distorcidas do Sebadoh, mas seja lá o que foi; ela está muito mais forte e marcante do que em qualquer outro momento de sua carreira.

(sobre o nome do disco; a palavra “emoh” significa ‘relutante’ em indonésio e também é ‘home’ ao contrário.)


Também em 2005, Barlow voltou para o Dinosaur Jr. juntamente com Murph (o baterista, que tinha saído da banda em 1993), e desde então já lançaram dois novos discos incríveis com a formação original do Dinosaur Jr., Beyond (2007) e Farm (2009).


Faixas que merecem destaque: “Round-N-Round”, “Home”, “Mary”, “Holding Back The Year”, “Caterpillar Girl”.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CSS - Donkey

Quando o ‘aguardado’ (?) segundo disco da banda paulistana saiu em 2008, a evolução no som deles era mais do que nítida. Os (quase irritantes) barulhos estranhos feitos por teclados/sintetizadores foram substituídos por guitarras bem trabalhadas, agora parece que todos sabem tocar seus instrumentos e até as letras parecem não ser mais tão sem sentido. E é claro que muita gente não gostou disso.

Gostando da banda ou não, é impossível não ficar impressionado com Donkey, principalmente depois de se ter ouvido o primeiro trabalho (Cansei de Ser Sexy, 2005). Donkey é um álbum de rock que ninguém esperava vir de uma banda que fazia músicas como “Alala” e “Meeting Paris Hilton”. Eles também gravaram um cover (muito bom, por sinal) de “Cannonball” do Breeders, e lançaram como b-side no single “Left Behind”.

Não dá pra dizer se Donkey é melhor ou pior que o debut, na verdade mal dá pra comparar os dois. As músicas “Move” e “Believe Achieve” são as que mais lembram o som antigo deles, mas mesmo nelas há uma base com bastante guitarra, coisa que não tinha tanto destaque na maior parte do primeiro álbum. Outra coisa que dá pra perceber é que em Donkey não há muita mistura das línguas nas letras, e também não tem nenhuma música cantada inteira em português, como no Cansei de Ser Sexy.

Pode não ter sido tão ‘bem-recebido’ (?) pela crítica quanto o primeiro, mas com Donkey o CSS provou mais do que qualquer outra coisa que é capaz de surpreender. Eu realmente não faço ideia do que esperar do terceiro álbum.


Faixas que merecem destaque: “Jager Yoga”, “Rat Is Dead (Rage)”, “I Fly”, “Left Behind”, “Air Painter”.